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A vila que não tem nem mesmo farmácia mas conta com três restaurantes estrelas Michelin

A vila que não tem nem mesmo farmácia, mas conta com três restaurantes estrelas Michelin

De Londres, a partir da estação de Paddington, bastam 40 minutos de viagem de trem para se alcançar Bray-on-Thames, pequena vila de nome extenso, às margens do Tâmisa, que se transformou em um dos maiores trunfos gastronômicos da Inglaterra. Vizinha a Windsor (e pode se chegar por lá também), o coração do lugarejo não abriga um mercado ou farmácia sequer, e a qualquer local se chega a pé; basta pegar uma das quatro ou cinco vias do seu traçado. Em compensação, Bray, à mesa, recebe com um score invejável: nada menos do que sete estrelas Michelin e dois Bib Gourmand. É feito inédito no mundo.

Na edição de 2018, tanto o The Waterside Inn, do chef francês Albert Roux, instalado ali desde 1979, quanto o The Fat Duck, do bamba Heston Blumenthal, asseguraram o seu trio de estrelinhas na fachada de suas casas por mais 365 dias. O outro feito é italiano, o Caldesi in Campagna, filial no countryside da matriz em Marylebone; o chef Giancarlo Caldesi e sua mulher Katie garantiram uma estrela.

Não faz muito tempo que o chef Heston Blumenthal, que sacudiu o mundo com a sua cozinha ultrapop (seu The Fat Duck está no ranking dos melhores do mundo), surpreendeu mais uma vez o métier fazendo o impensável: comprou o Hinds Head, o mais antigo pub de Bray, instalado em um cottage de 1400 que desde 1920 funciona como restaurante. Blumenthal deu um bom trato na cozinha, mantendo, porém, os pratos clássicos de pub. Entrar ali é voltar no tempo, com suas instalações originais em perfeito estado. Nas paredes, fotos de seus ilustres frequentadores, como o Príncipe Philip, desfrutando da lareira. À mesa, o melhor de um pub.

Os irmãos Roux, Michel e Albert abriram há 46 anos anos o The Waterside Inn, misto de restaurante e hotel, instalado em um cottage centenário debruçado sobre o rio Tâmisa. De lá para cá, Bray-on-Thames nunca mais foi a mesma. Com sua cozinha requintadíssima (Fernando Henrique Cardoso, em tempos presidenciais, almoçou ali), há 30 anos exibe o trio de estrelas Michelin. Jamais perdeu uma delas. É, disparado, o mais elegante endereço da localidade. E o mais caro também (especialmente em se tratando de libra). O Menu Gastronomique, com três cursos (boudin noir da maison com maçã com brioche, alcachofras de Jerusalém trufadas, supremo de faisão rôti e por aí vai) sai por 80 libras nos finais de semana. Sem vinho.

Os ingleses brincam dizendo que o italiano Caldesi in Campagna está na ?Tuscany-on-Thames?, já que o chef Giancarlo é italiano de Montepulciano. Na sua cozinha, ele usa produtos sazonais, ervinhas que colhe do jardim da casa, massas fresquíssimas, trufas de Alba, vinhos espetaculares. Uma ?pasta? com pato, cogumelos porcini, muçarela de búfala e molho bechamel custa 17 libras. O menu com quatro cursos, que inclui o suflê de grana padano fumegante, sai por 40 libras

É andar mais um pouquinho (já disse que tudo é perto, não?) e se chega ao The Fat Duck. Ou ao The Crown. São vizinhos quase de porta. No inverno, o ?Fat? fecha, as férias são coletivas e o cardápio é repensado. Ali, Blumenthal propõe uma experiência, uma ?vivência? à mesa: já comi lagosta na casa tendo que equilibrar uma concha na ouvido para ouvir o barulho das ondas... Elegemos o The Crown, lindo, a mais nova aquisição do Blumenthal. É preciso marcar mesa, a pontualidade deve ser britânica e não se gasta muito pela adorável experiência de estar ali em uma de suas mesas centenárias. Gastei 70 libras, com entrada (couve-flor crocante), uma ?parfait? de cogumelos memorável, fish and chips crocante, sequinho, com purê de ervilha e menta e uma garrafa de Bordeaux. Cheers!

Uma saideira? Comer torta de maçã no Hind´s Head e depois explorar, a pé, o ?village? (e descobrir alguma farmácia ou mercado). Para os mais animados e abonados, a The Monkey Island, um pouco mais distante, além de um belo local, abriga um hotel de altissimo luxo, instalado em um castelo de 800 anos, que tem uma ótima brasserie. Indo para o casamento real? Não deixe essas delícias para trás.

Com informações de oglobo@globo.com

  • 16/05/2018
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