Meu Bem Comer - Por Marcelo Dieb

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As mentiras do sal rosa que está na moda: nem é tão benéfico nem vem do Himalaia

Ao procurar ?sal rosa do Himalaia? no Google, aparecem mais de 300.000 resultados em português. Muitos deles alardeiam os ?incríveis benefícios? desse ingrediente. Regular o açúcar no sangue e a acidez do organismo e melhorar a saúde respiratória e cardiovascular são algumas das propriedades atribuídas a ele sem nenhum tipo de aval científico. O que fica claro ao fazer a busca é que um quilo deste sal milagroso custa várias vezes mais que o comum de mesa, que não costuma passar de dois reais por quilo.

Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo de 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colherinha de café (algo que no Brasil mais do que duplicamos). ?O problema do sal está na quantidade de sódio que contém?, diz Ramón de Cangas, dietista-nutricionista, doutor em Biologia Molecular e Funcional e membro da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética. Esse elemento é associado a diversos problemas de saúde pública, como a hipertensão arterial, os problemas cardiovasculares, os cálculos renais e inclusive o câncer de estômago, segundo a OMS, e o sal rosa do Himalaia não contém menos que o comum: ?Ele fornece as mesmas quantidades de sódio que o sal de mesa?, sentencia De Cangas. Portanto, as recomendações da OMS são igualmente aplicáveis a ele.

A diferença é que não é refinado e ?contém outros minerais, como o ferro, que lhe dão essa característica cor rosa?, explica De Cangas. Entretanto, ?as quantidades não são significativas quanto ao seu impacto para a saúde. Não há evidência científica de que o sal rosa do Himalaia forneça nenhum benefício para a saúde, nem tampouco que haja diferenças significativas entre consumir sal normal e este outro tipo.?

Fica claro: se o que queremos é gastar mais dinheiro em sal porque é rosa, não há problema. Desde que não ultrapassemos a quantidade recomendada pela OMS. Agora, talvez convenha saber que não só ele não tem as propriedades milagrosas que lhe são atribuídas como tampouco é extraído exatamente do Himalaia: provém da mina de Khewra, situada no Paquistão, a alguns quilômetros dos contrafortes dessa cordilheira asiática.

  • 27/12/2018
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