Meu Bem Comer - Por Marcelo Dieb

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Conheca os vinhos laranjas

No Champenoise Bistrô, em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, os menus de vegetais cultivados ali são quase sempre acompanhados dos vinhos brancos feitos por Marina Santos, sócia da casa e enóloga da Vinha Unna. Brancos, não, laranjas. Ela explica: ?Brancos feitos como tintos. Isso porque, na anatomia da uva, é a casca a responsável por dar estrutura e taninos, e, no caso dos tintos, cor. A bebida é o meio do caminho: um branco feito a partir de uvas do mesmo tipo, mas fermentado em contato prolongado com as cascas?. Depois da surpresa do primeiro gole, brilham a acidez explosiva, a textura carnuda e a boca azedinha. Por aqui, bons produtores vêm investindo na ideia e criando grandes laranjas nacionais, e, no Rio, já é fácil encontrá-los em mesas descoladas, como Cru Natural Wine Bar, Arp., Lasai, Aprazível e no mercado Acolheita.

A bossa não é nova: a história dos laranjas se confunde com a do vinho na Geórgia, região do Cáucaso, na Europa Oriental. Naquele tempo, mais de cinco mil anos atrás, as bebidas eram fermentadas em ânforas ou kveris de terracota, espécie de recipiente oval enterrado sob o solo, garantindo umidade e temperatura constantes. O resgate desse estilo de vinificação foi capitaneado por Josko Gravner, vinhateiro da região de Friuli, fronteira da Itália com a Eslovênia, que importou o aparato rústico e desafiou o gosto mundial apostando nesse estilo exótico no final da década de 1990. Foi nele que Humberto Conti, da Villaggio Conti, vinícola da serra catarinense, inspirou-se para fazer seu Arancione, um laranja feito a partir de uvas italianas e que, nesta safra, já está há 120 dias em contato com as cascas em tanques de inox. ?Experimentei um vinho de Gravner do qual nunca mais me esqueci e decidi que ia fazer o mesmo por aqui.? Outro festejado laranja brasileiro é o Peverella Era dos Ventos, de sabor picante e denso. Da mesma casa gaúcha, ainda há o Trebbiano On The Rock, um laranjinha fresco.

Na produção biodinâmica da Vinha Unna todo vinho fica pelo menos 30 dias em contato com as cascas das uvas. ?A história da Geórgia foi a última das coisas que li sobre os vinhos laranjas. Eu buscava maneiras de abrir mão do sulfito (um conservante) , então fui conversar com os colonos da minha região para saber como se fazia vinho antigamente. Descobri que eles deixavam as cascas durante e após a fermentação não só nos tintos, mas também nos brancos, aumentando sua estrutura e suas defesas naturais?, relembra. Ela passou a deixar suas uvas fermentando por 30, 35, 60 dias. ?Acho que os laranjas são mais digestos, fáceis de beber, além de muito fáceis para harmonizar?, acrescenta.

São vinhos de personalidade forte, mas que formam belo par com pratos da cozinha coreana, indiana, marroquina e até mesmo uma moqueca baiana. O importante é experimentar.

  • 24/09/2019
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