Meu Bem Comer - Por Marcelo Dieb

Conheça o autor

twitter

@meubemcomer

Seja nosso amigo

quem faz

Marcelo Dieb

Marcelo Dieb

ver mais

arquivos

salada

joao

DAS COMUNIDADES CARIOCAS À GASTRONOMIA PARISIENSE: CONHEÇA O CHEF QUE COMANDA O RESTAURANTE DO MUSEU DO AMANHÃ NO RJ

Vencedor do Prêmio Infood de Gastronomia em 2017, na categoria cozinheiro revelação, João Augusto Santos Batista, mais conhecido como João Diamante, teve seu primeiro contato com a cozinha ainda criança, aos 8 anos. ?Eu fui trabalhar numa padaria da comunidade em que eu morava, no Rio de Janeiro. Apesar de me interessar pela cozinha, fui também pelo dinheiro. Eu sabia das dificuldades que minha mãe tinha para manter a casa?, lembra.

Na mesma época, João, que hoje, aos 26 anos, é o chef executivo do Fazenda Culinária, restaurante dentro do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, começou a se arriscar no fogão de casa também. ?Minha mãe deixava comida pronta para dias e eu e minha irmã tínhamos que esquentar, mas nunca gostei muito. Como nossas refeições eram simples e fáceis de fazer, tentei me arriscar e a partir daí cozinhava para mim mesmo?, conta.

Apesar da prática na cozinha, a gastronomia nunca foi um desejo de infância, mas, sim, um caminho natural. Depois de muita insistência de sua mãe, João completou o Ensino Médio e aos 18 anos, entrou para Marinha. ?Foi ali que virou paixão?, lembra, ?foi quando descobri que eu poderia mudar o dia de uma pessoa, dar alegria, por meio da comida. O militarismo é uma profissão estressante, então, o horário do almoço é um dos poucos que eles têm para refletir. Por isso, eu colocava amor, dedicação e carinho na comida que eu estava fazendo?.

Foi durante a carreira militar também que o chef resolveu se dedicar aos estudos e se aprofundar na gastronomia. Isto porque, segundo ele, foi quando sentiu o reconhecimento pelo seu trabalho. Certo dia, João precisou substituir o cozinheiro comandante na Marinha, mas ninguém sabia quem ele era. Depois da refeição, foi chamado pelo comandante, que questionou se ele havia colocado alguma coisa diferente na receita, que era corriqueira por ali. ?Quando falei que não, ele me deu os parabéns e exaltou meu talento, disse que eu tinha um dom. Fiquei surpreso porque, afinal, no militarismo raramente te elogiam, quando te chamam, é justamente porque tem algo ruim?. O mesmo comandante ofereceu estágio no Iate Clube do Rio de Janeiro e João aceitou.

A partir daí, o caminho para o sucesso foi natural: ele fez curso de nutrição e dietética, formou-se em gastronomia e destacou-se entre 4 mil estudantes, sendo escolhido para estagiar no restaurante Le Julies Verne, que fica na Torre Eiffel, em Paris, na França. ?Quando eu cheguei lá, mal falava português (risos), mas mesmo com toda dificuldade, me dediquei e me esforcei para poder acompanhar o estágio e em menos de três meses aprendi o idioma?, conta. João começou atuando na área de base do restaurante do chef Alain Ducasse, famoso internacionalmente, e depois fez rodízio em todos os setores do estabelecimento. ?Voltei com uma bagagem enorme tanto de conhecimento gastronômico, quanto cultural. Foi incrível!?.

Quando questionado sobre a influência da vivencia internacional no seu modo de cozinhar, João esclarece: ?Quanto mais lugares você conhece, mais a culturainterfere na cozinha. O que difere a culinária francesa da brasileira é justamente a cultura?. O chef, que nasceu na Bahia, cresceu no Rio de Janeiro e viveu em Paris, explica que a técnica é basicamente a mesma, mas o que difere são os ingredientes e a cultura, justamente por conta do tipo de colonização de cada lugar. ?O tempero, o sabor e modo de apresentar são distintos. E essa troca é muito interessante! Você vai, viaja, aprende, traz e compartilha. Eu acredito que é isso que faz o mundo girar?.

fonte: casaejardim.globo.com

  • 10/04/2018
  • 0 comentário(s)

Compartilhe:

Fazer um comentário

Seja bem-vindo. Sua opinião é importante.
Todos os Comentários passam pelo processo de moderação.

Busca

Publicidade

Publicidade